Os ciclos de desenvolvimento e os temidos 2 anos

Ser mãe é viver ciclos. Ciclos intensos, desafiadores, cheios de altos e baixos. E um deles está nos visitando agora. Estamos na fase do choro, das birras, da brabeza que parece atingir todos nós em cheio. Fase em que minha filha de 2 anos, que ama tanto a escola, faz de tudo para não se arrumar. Aquela rotina de sempre – trocar fralda, colocar o uniforme, pentear o cabelo e escovar os dentes, que antes fazíamos brincando e nos divertindo – tornou-se um verdadeiro furacão há algumas semanas. A cada dia, o caminho até a escola parece mais difícil. Às vezes, leva mais de uma hora para conseguirmos sair. Por sorte, moramos pertinho da escola.

Ontem, por um triz, quase deixei que ela ficasse em casa. Eu também me estresso e canso; não sou de ferro. Mas algo me diz que ceder não traria o alívio que imagino. Com esforço, respiro fundo e converso, tentando acalmar e entender. Ela pede colo, mas logo se debate, incerta do que realmente quer. É como se dentro dela houvesse um turbilhão. Fico imaginando o quanto essa fase, que para mim é tão difícil, é ainda mais confusa e desafiadora para ela.

Ao final do dia, quando sai da escola, ela está radiante, animada com todas as coisas que fez, cheia de histórias para contar. É lindo ver o quanto ela está se desenvolvendo, ouvindo-a compartilhar os acontecimentos do dia com tanta empolgação. Isso nos dá a certeza de que o problema não é a escola em si – ela adora estar lá. Talvez o que pesa para ela seja o momento da separação, depois de passar a manhã toda ao meu lado. Essa transição, essa despedida diária, parece ser o verdadeiro desafio.

Quando essas explosões de emoção acontecem em um ambiente com mais gente – na casa dos avós, rodeada por tios e primos – vejo como ela fica ainda mais agitada. A tentativa de ajuda dos outros muitas vezes acaba por intensificar o estresse, e, no fim, ela só se acalma mesmo nos braços do pai ou da mãe. É quando nos afastamos, respiramos juntos, e deixamos que ela sinta nosso abraço que a tempestade começa a passar, não sem antes vir acompanhada de muito choro.

Esses momentos também são difíceis para nós, os pais. No estresse e na urgência de resolver a situação, acabamos nos desencontrando sobre a melhor forma de agir. Cada um tenta ajudar ao seu modo, mas as ideias nem sempre se alinham, e isso muitas vezes gera tensões entre nós. É um peso extra, porque queremos o melhor para ela, mas nessas horas, é fácil esquecer que estamos todos no mesmo time, apenas tentando lidar com o caos e o cansaço.

Estamos considerando trocar para o período da manhã no próximo ano, já que ela acorda cedo e parece mais disposta. Talvez funcione, talvez traga um pouco de alívio. Aqui sempre que algo não está indo bem tentamos achar alternativas, fazer testes. Mas, por enquanto, só o que sei com certeza é que é uma fase. E, como outras tantas, essa também vai passar. Em breve, virão novos desafios, novas descobertas e outros pequenos “ciclos”. Até lá, sigo respirando fundo, com o coração cheio de paciência e esperança e a mente cansada, lembrando a mim mesma que essa é apenas mais uma etapa em nossa jornada juntas. Te amo filha.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dicas práticas para mães cansadas

Bem-vindos!

A Primeira Noite sem Mamãe