O choro no carro - Tudo Passa, Minha Querida
Quando a Mayla era menor, logo que entrávamos no carro o choro começava. E não parava. Tínhamos quarenta minutos de estrada pela frente e, muitas vezes, ela chorava quase o caminho inteiro. O Maycon acabava pisando um pouco mais fundo, querendo chegar rápido, e eu ficava ainda mais aflita com isso. Parávamos para tentar acalmá-la, dava o peito, e quando achávamos que ela estava melhor, bastava colocá-la de volta na cadeirinha para o choro recomeçar. Tantas vezes me contorci no banco de trás, tentando amamentá-la enquanto seguíamos viagem com ela na cadeirinha – era a única coisa que parecia acalmá-la.
Pensamos em desistir dessas viagens, confesso. Às vezes parecia que o estresse era maior do que a alegria de passar o fim de semana na praia. Mas sabíamos que isso fazia bem para nós três, então resolvemos seguimos tentando e fazendo alguns testes. Decidimos colocar ela para dormir antes de sair, mesmo pegando mais fila, levá-la dormindo e assim garantir um pouco de paz. Funcionou várias vezes. Mas claro, nem sempre era tão fácil – ela já acordou no exato momento em que a colocamos na cadeirinha, ou então, no meio da viagem. E, sabe, aprendi a não criar tanta expectativa. Esse é o segredo: diminua as expectativas. Criança não tem regra. Cada fase, cada noite, cada sono é uma história diferente.
Lembro de uma noite específica, quando ela ainda acordava muitas vezes de madrugada. Naquela noite, dormiu oito horas seguidas, e eu comemorei, acreditando que esse seria o novo padrão. Não foi. Mas o tempo passou, e agora, muitas vezes, ela dorme a noite toda, algo que eu só conseguia sonhar naquela época.
Voltando ao domingo, enquanto ela ria no banco de trás, senti uma gratidão enorme. Tudo passa, minha querida. O choro passa, a fase passa, os bebês crescem, as dificuldades se transformam. Então, hoje meu conselho para mim mesma e para quem está nesse turbilhão é: segue como dá, sem tanta cobrança, sem expectativas rígidas, fazendo testes, aceitando que cada um está dando o seu melhor. E amando como muito, do jeitinho que conseguimos. Estamos todos no mesmo barco, tentando, errando, e acalmando nossos corações onde for possível.

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